Capítulo 15

18

1ENTÃO respondeu Elifaz o temanita, e disse:

2Porventura proferirá o sábio vã sabedoria? E encherá do vento oriental o seu ventre,

3Argüindo com palavras que de nada servem, e com razões, de que nada aproveita?

4E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus.

5Porque a tua boca declara a tua iniqüidade; e tu escolhes a língua dos astutos.

6A tua boca te condena, e não eu, e os teus lábios testificam contra ti.

7És tu porventura o primeiro homem que nasceu? Ou foste formado antes dos outeiros?

8Ou ouviste o secreto conselho de Deus e a ti só limitaste a sabedoria?

9Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós?

10Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai.

11Porventura fazes pouco caso das consolações de Deus, e da suave palavra que te dirigimos?

12Por que te arrebata o teu coração, e por que piscam os teus olhos?

13Para virares contra Deus o teu espírito, e deixares sair tais palavras da tua boca?

14Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para ser justo?

15Eis que ele não confia nos seus santos, e nem os céus são puros aos seus olhos.

16Quanto mais abominável e corrupto é o homem que bebe a iniqüidade como a água?

17Escuta-me, mostrar-te-ei; e o que tenho visto te contarei

18(O que os sábios anunciaram, ouvindo-o de seus pais, e o não ocultaram;

19Aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou por entre eles):

20Todos os dias o ímpio é atormentado, e se reserva, para o tirano, um certo número de anos.

21O sonido dos horrores está nos seus ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador.

22Não crê que tornará das trevas, mas que o espera a espada.

23Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia das trevas lhe está preparado, à mão.

24Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja;

25Porque estendeu a sua mão contra Deus, e contra o Todo-Poderoso se embraveceu.

26Arremete contra ele com a dura cerviz, e contra os pontos grossos dos seus escudos.

27Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou gordura nas ilhargas.

28E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruínas.

29Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões.

30Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos, e ao sopro da sua boca desaparecerá.

31Não confie, pois, na vaidade, enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa.

32Antes do seu dia ela se consumará; e o seu ramo não reverdecerá.

33Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a oliveira,

34Porque a congregação dos hipócritas se fará estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.

35Concebem a malícia, e dão à luz a iniqüidade, e o seu ventre prepara enganos.

Reflexão

15

Elifaz volta a falar, agora acusando Jó diretamente de arrogância por questionar Deus — o tom dos amigos vai se tornando cada vez mais hostil, não mais compreensivo.

Perguntas frequentes

Quantos versículos tem Jó capítulo 15?

Jó 15 tem 35 versículos na versão ACF (Almeida Corrigida Fiel).

Qual versão da Bíblia é usada nesta página?

O texto é apresentado na versão ACF — Almeida Corrigida Fiel.

Sobre o que fala o livro de Jó?

Explora o sofrimento através da história de Jó, um homem justo que perde tudo e questiona Deus, culminando num encontro direto com a presença divina.